Pesquisa Quaest divulgada em 28 de setembro apontou 49% de desaprovação e 46% de aprovação do governo Lula; na intenção de voto, presidente tinha 39% contra 34% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e empate de 42% a 42% no segundo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à reta final do primeiro turno das Eleições 2026 com uma avaliação do governo ainda negativa, segundo a última pesquisa Quaest divulgada antes da votação.

O levantamento, realizado entre 24 e 27 de setembro com 2.004 eleitores, apontou 49% de desaprovação ao governo federal e 46% de aprovação. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e a pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06520/2026.

Na disputa presidencial, Lula aparecia com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 34% de Flávio Bolsonaro (PL). Em relação ao levantamento anterior, Lula passou de 37% para 39%, enquanto Flávio oscilou de 33% para 34%.

Em uma simulação de segundo turno entre os dois, a pesquisa registrou 42% para Lula e 42% para Flávio Bolsonaro, configurando empate dentro da margem de erro.

AVALIAÇÃO DO GOVERNO CONTINUA NEGATIVA

Apesar da melhora de dois pontos na aprovação em relação ao levantamento anterior, quando estava em 44%, o governo permaneceu com índice de desaprovação superior ao de aprovação.

A Quaest mostrou, portanto, uma diferença de três pontos percentuais entre desaprovação e aprovação: 49% contra 46%.

O resultado ocorre nos últimos dias antes do primeiro turno, período em que os candidatos intensificam a comunicação com os eleitores e apresentam suas principais propostas.

MEDIDAS ANUNCIADAS NA RETA FINAL

Nas semanas que antecederam a votação, o governo federal anunciou ou colocou em prática uma série de medidas com impacto econômico e social.

Entre elas está o reajuste do Bolsa Família, cujo valor mínimo passou de R$ 600 para R$ 691 a partir da folha de outubro. O reajuste foi de 15,04% e, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, corresponde à recomposição pela inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.

O governo também anunciou medidas relacionadas às apostas de quota fixa. Em 25 de setembro, Lula assinou medida provisória que determinou a proibição das bets no país, com regras para retirada de valores pelos apostadores e encerramento das operações. A decisão ocorreu enquanto a pesquisa Quaest ainda estava em campo.

Outra iniciativa anunciada em setembro envolve as chamadas canetas emagrecedoras. O Ministério da Saúde informou que conduz estudos para avaliar a incorporação desses medicamentos ao SUS e que a disponibilização deverá ocorrer de acordo com protocolos clínicos e critérios técnicos.

IMPACTO FISCAL ENTRA NO DEBATE

As medidas anunciadas pelo governo também passaram a ser discutidas sob a perspectiva das contas públicas.

Levantamento publicado pela Folha de S.Paulo estimou que o conjunto de medidas adotadas ou anunciadas em 2026 poderia alcançar R$ 215,6 bilhões, considerando operações de crédito, programas de renegociação de dívidas, reajuste do Bolsa Família e outras iniciativas. A mesma análise estimou em R$ 6,8 bilhões a perda de arrecadação associada ao encerramento das bets.

A dimensão fiscal, porém, varia conforme a natureza de cada medida. Algumas envolvem despesas orçamentárias, enquanto outras são operações de crédito ou programas que podem gerar impactos em períodos diferentes.

O governo sustenta que suas iniciativas seguem as regras fiscais e têm como objetivo estimular a economia e proteger famílias de menor renda. A discussão sobre seus efeitos nas contas públicas é objeto de análises de economistas e instituições fiscais.

DISPUTA PRESIDENCIAL

Na pesquisa Quaest de 28 de setembro, além dos 39% de Lula e dos 34% de Flávio Bolsonaro, Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) apareceram com 4% cada, enquanto Renan Santos (Missão) registrou 3% e Romeu Zema (Novo), 1%. Samara Martins (UP) não pontuou.

O número de eleitores indecisos caiu de 10% para 5%, enquanto brancos e nulos somaram 10%.

A pesquisa mostrou, portanto, uma concentração maior das intenções de voto nos dois primeiros colocados na reta final da campanha.

SEGUNDO TURNO APONTA EMPATE

Na simulação entre Lula e Flávio Bolsonaro, os dois candidatos apareceram com 42%.

Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, o resultado não permite estabelecer uma vantagem estatisticamente conclusiva entre os dois naquele levantamento.

Outras pesquisas divulgadas nos últimos dias também apresentaram diferenças entre os números, com alguns levantamentos mostrando Lula numericamente à frente e outros registrando Flávio à frente ou empate dentro da margem de erro. As metodologias, datas de campo e amostras variam entre os institutos.

RETA FINAL

A combinação entre avaliação do governo, cenário econômico, programas sociais, novas medidas e intenção de voto passou a ocupar espaço central na reta final da campanha presidencial.

Para Lula, os números da Quaest mostram uma situação em que a aprovação do governo permanece abaixo da desaprovação, embora tenha havido melhora em relação ao levantamento anterior.

Na corrida eleitoral, o presidente mantinha vantagem numérica sobre Flávio no primeiro turno, mas os dois apareciam empatados na simulação de segundo turno.

A pesquisa, realizada antes do encerramento da campanha e com margem de erro de dois pontos percentuais, representa apenas um retrato do momento em que as entrevistas foram realizadas. O resultado efetivo da eleição depende dos votos depositados nas urnas.

Fonte: Quaest / TSE / Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social / Ministério da Saúde

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