Mensagem de Roberta Luchsinger menciona envio de contratos da petroquímica a ex-assessor de senador; empresa nega ter contratado a lobista e Petrobras defende legalidade de acordos

A Polícia Federal encontrou no celular da empresária e lobista Roberta Luchsinger uma mensagem mencionando contratos da petroquímica Unigel, empresa que posteriormente fechou um acordo com a Petrobras para encerrar uma disputa bilionária envolvendo a estatal.

A mensagem foi enviada em 3 de fevereiro de 2024 a Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA). No texto, Luchsinger afirmou:

“Eu vou te mandar os contratos da Unigel também, tá? E os de compra e venda também”.

O conteúdo chamou a atenção dos investigadores porque aparece no contexto de outras conversas analisadas pela PF sobre a atuação de Luchsinger junto a órgãos públicos e empresas.

O QUE A PF ENCONTROU

A mensagem não afirma expressamente que Roberta Luchsinger fosse contratada pela Unigel. O que aparece no material apreendido é a referência ao envio de contratos da companhia e documentos relacionados a compra e venda.

A partir desse registro, os investigadores passaram a analisar o contexto da comunicação, os destinatários dos documentos e eventuais relações entre a lobista, representantes da empresa e agentes públicos.

A apuração ocorre dentro de investigações mais amplas envolvendo suspeitas de corrupção, tráfico de influência e outras irregularidades atribuídas à atuação de Luchsinger junto ao poder público.

RELAÇÃO COM LULINHA

Roberta Luchsinger é apontada em reportagens e documentos da investigação como próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mensagens anteriores analisadas pela PF mostram Luchsinger se referindo a Lulinha como seu “sócio” em diferentes conversas. A defesa de Lulinha, porém, nega que ele tenha atuado de maneira irregular em negócios envolvendo o governo federal.

O vínculo pessoal entre os dois, por si só, não comprova irregularidade ou participação em qualquer negócio público.

UNIGEL APARECE EM OUTRAS AGENDAS

A relação de Luchsinger com assuntos envolvendo a Unigel já havia aparecido em registros anteriores.

Em setembro de 2023, ela acompanhou executivos da companhia em uma reunião no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo informações divulgadas com base em registros de acesso obtidos pela Lei de Acesso à Informação, Luchsinger também esteve em órgãos federais acompanhando representantes de empresas, incluindo a Unigel.

O BNDES informou que a reunião envolveu discussão sobre possível financiamento para um projeto de hidrogênio verde, mas que o financiamento não avançou e não houve investimento do banco no projeto.

DISPUTA ENTRE UNIGEL E PETROBRAS

A Unigel mantinha uma disputa com a Petrobras relacionada a contratos envolvendo fábricas de fertilizantes.

Posteriormente, as empresas chegaram a um acordo para encerrar os litígios.

A Petrobras sustenta que as negociações foram conduzidas de acordo com os procedimentos internos de governança da companhia, com participação das áreas técnicas e jurídicas e posterior homologação pelo tribunal arbitral responsável pelo caso.

LOBISTA TENTOU ARTICULAR REUNIÃO COM A PETROBRAS

Outro elemento citado nas reportagens é uma mensagem de julho de 2024, na qual Luchsinger pediu ajuda a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e então chefe de gabinete do presidente Lula, para tentar viabilizar uma reunião com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

Segundo o conteúdo divulgado, Luchsinger afirmou que representantes da Unigel estavam preocupados porque não conseguiam avançar nas tratativas com a estatal.

A existência dessa tentativa de reunião, contudo, não demonstra que a lobista tenha conseguido interferir no processo decisório da Petrobras.

UNIGEL NEGA TER CONTRATADO ROBERTA

Procurada sobre o caso, a Unigel negou que Roberta Luchsinger tivesse contrato com a companhia.

A empresa afirmou que ela nunca manteve relação contratual com a Unigel e jamais representou institucionalmente a companhia. A negativa é relevante porque a mensagem encontrada pela PF menciona contratos da empresa, mas não esclarece, isoladamente, qual era a finalidade do envio dos documentos ou em que condição Luchsinger teve acesso a eles.

PETROBRAS DEFENDE ACORDO

A Petrobras também rejeitou qualquer suspeita de irregularidade relacionada ao acordo.

A estatal informou que as negociações seguiram os procedimentos internos de governança e que o acordo foi submetido às instâncias responsáveis antes de ser homologado pelo tribunal arbitral.

Assim, a existência das mensagens não permite concluir, por si só, que tenha havido influência indevida sobre a Petrobras ou que o acordo tenha sido resultado de uma atuação irregular da lobista.

INVESTIGAÇÃO ANALISA O CONTEXTO

O conteúdo encontrado no celular de Luchsinger integra um conjunto maior de mensagens e registros que vêm sendo examinados pela Polícia Federal.

A investigação busca reconstruir contatos, relações empresariais e articulações realizadas pela lobista com representantes de empresas e integrantes do poder público.

Entre os elementos analisados estão visitas a ministérios, reuniões no Planalto e no BNDES, contatos com empresários e conversas relacionadas a possíveis negócios com órgãos públicos.

Até o momento, a menção aos contratos da Unigel não constitui, isoladamente, prova de corrupção, tráfico de influência ou de qualquer crime envolvendo Lulinha, Roberta Luchsinger, a Unigel ou a Petrobras.

O avanço da investigação dependerá da análise dos documentos enviados, da origem dos contratos, dos destinatários e de eventuais conexões com decisões ou negócios realizados posteriormente.

O QUE ESTÁ CONFIRMADO

  • A PF encontrou mensagem de Roberta Luchsinger mencionando contratos da Unigel.
  • A mensagem foi enviada em 3 de fevereiro de 2024 a Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha.
  • Luchsinger acompanhou executivos da Unigel em uma reunião no BNDES em 2023.
  • Posteriormente, ela tentou articular uma reunião entre representantes da Unigel e a presidência da Petrobras.
  • A Unigel nega ter contratado ou sido representada institucionalmente por Luchsinger.
  • A Petrobras afirma que seus acordos com a empresa seguiram os procedimentos de governança.
  • As mensagens estão inseridas em uma investigação mais ampla da Polícia Federal.

FONTE

Polícia Federal, O Estado de S. Paulo e informações oficiais/posicionamentos da Unigel e da Petrobras.

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