Segundo a Polícia Federal, Julio Cesar Jacobsen movimentou R$ 43,8 milhões e teria atuado como operador financeiro de Diego Possebon; parte dos recursos teria sido destinada a empresas investigadas, incluindo uma ligada ao cantor Alexandre Pires

O motorista Julio Cesar Jacobsen é apontado pela Polícia Federal como um dos principais responsáveis pela movimentação financeira de um esquema investigado na Operação Disco de Ouro II, que apura a comercialização ilegal de cassiterita extraída de terras indígenas.

Segundo documentos da investigação, Jacobsen teria movimentado aproximadamente R$ 43,8 milhões e sacado R$ 11,2 milhões em dinheiro vivo. A PF afirma que ele atuava como uma espécie de “testa de ferro” ou “laranja” de Diego Possebon, apontado pelos investigadores como líder da organização criminosa.

Motorista teria movimentado milhões

Formalmente, Jacobsen atuava como motorista particular e é proprietário da empresa J. Cesar Jacobsen. De acordo com a PF, ele foi o maior destinatário individual de transferências bancárias entre os investigados analisados.

Dos R$ 43,8 milhões movimentados, cerca de R$ 32,6 milhões teriam circulado por meio de transferências bancárias. A investigação aponta que os recursos recebidos pelo motorista eram destinados posteriormente a Possebon ou distribuídos para outras pessoas e empresas relacionadas ao caso.

Além das operações bancárias, Jacobsen teria sido responsável por buscar e transportar grandes quantidades de dinheiro em espécie. Em uma das situações descritas pela investigação, ele teria utilizado uma BMW pertencente a Possebon para buscar um pacote de dinheiro.

Segundo a PF, diálogos obtidos durante a investigação mostram Possebon avisando integrantes do grupo de que seu motorista iria buscar o dinheiro.

Empresa ligada a Alexandre Pires aparece entre os destinatários

Ainda conforme a investigação, parte dos recursos movimentados por Jacobsen teria sido direcionada para terceiros e empresas, entre elas a A.P.N. Serviços, empresa ligada ao cantor Alexandre Pires.

A segunda fase da Operação Disco de Ouro identificou movimentações financeiras envolvendo empresas relacionadas ao artista. Segundo a PF, a empresa ligada a Pires teria recebido aproximadamente R$ 2,53 milhões em recursos sob investigação.

Em outro levantamento divulgado pela PF, o fluxo financeiro analisado relacionado ao cantor e à empresa teria alcançado aproximadamente R$ 31 milhões, considerando diferentes transferências e repasses. A defesa de Alexandre Pires nega envolvimento com garimpo ou extração ilegal de minério e afirma que sua relação com Matheus Possebon, irmão de Diego Possebon e empresário do cantor, era relacionada à atividade artística.

Esquema teria movimentado cerca de R$ 246 milhões

A Operação Disco de Ouro II investiga uma estrutura que, segundo a Polícia Federal, teria movimentado mais de US$ 48 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 246 milhões, por meio da comercialização e exportação de cassiterita.

A investigação aponta que parte do minério teria sido extraída ilegalmente da Terra Indígena Yanomami, entre Roraima e Amazonas. Posteriormente, documentos supostamente falsos teriam sido utilizados para apresentar o material como se tivesse origem legal em uma área de garimpo localizada em Itaituba, no Pará.

A cassiterita possui elevado valor comercial por ser a principal fonte de estanho, metal utilizado em diversas aplicações industriais, incluindo eletrônica, ligas metálicas e outros produtos.

Investigação começou após apreensão de cassiterita

A apuração teve início após a apreensão de aproximadamente 30 toneladas de cassiterita, em janeiro de 2022. Segundo a PF, o material teria sido retirado ilegalmente da Terra Indígena Yanomami.

Com o avanço das investigações, os agentes passaram a rastrear não apenas a origem do minério, mas também a estrutura financeira utilizada para movimentar os valores obtidos com a comercialização.

O caso passou a envolver suspeitas de lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica e outras infrações que ainda são investigadas.

Coaf identificou movimentações incompatíveis

As movimentações atribuídas a Jacobsen também chamaram a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Segundo a investigação, os valores que passaram pelas contas do motorista seriam incompatíveis com sua renda e com o faturamento declarado de sua empresa. Entre março e maio de 2023, os créditos identificados nas contas analisadas teriam ultrapassado R$ 40 milhões.

A partir desses dados, a Polícia Federal passou a investigar o papel desempenhado pelo motorista dentro da estrutura financeira atribuída ao grupo.

Alexandre Pires é alvo de investigação, mas nega irregularidades

Alexandre Pires voltou a ser alvo de medidas da Polícia Federal na segunda fase da operação. Foram realizadas buscas em imóveis ligados ao cantor, e a investigação passou a analisar com maior profundidade as movimentações financeiras envolvendo empresas relacionadas ao artista.

A defesa do cantor afirma que ele não tem e nunca teve envolvimento com garimpo ou extração de minério, inclusive em terras indígenas. Os advogados também sustentam que os elementos apresentados pela investigação estão sendo contestados durante o andamento do procedimento.

As investigações continuam, e os fatos apurados pela Polícia Federal ainda dependem da análise das autoridades competentes. A condição de investigado não representa, por si só, condenação ou comprovação definitiva de participação nos crimes investigados.

Fonte: BNews, Polícia Federal e documentos da investigação citados nas reportagens.

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