Presidente associa origem do Banco Master ao governo Bolsonaro, enquanto investigação citada pela imprensa apura relações de Jaques Wagner com ex-sócio de Daniel Vorcaro O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) associou o escândalo envolvendo o Banco Master ao período do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante entrevista à Super Rádio Tupi. Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que o banco foi criado durante o governo Bolsonaro e fechado durante sua própria administração. A declaração ocorre em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal sobre suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas ao antigo controlador da instituição, Daniel Vorcaro. Ao mesmo tempo em que Lula direcionou críticas ao período Bolsonaro, informações divulgadas sobre a investigação da PF colocaram sob escrutínio contatos mantidos pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master. PF APURA CONTATOS ENTRE JAQUES WAGNER E AUGUSTO LIMA Segundo informações divulgadas pela imprensa com base em elementos da investigação, a PF identificou 74 ligações entre Jaques Wagner e Augusto Lima entre novembro de 2023 e maio de 2025. Os investigadores apuram se os contatos estavam relacionados a interesses do Banco Master e a pautas legislativas de interesse da instituição. Também são investigadas suspeitas de pagamentos relacionados ao núcleo familiar do senador. A existência dos contatos, entretanto, não significa que Wagner tenha cometido crime ou atuado ilegalmente em favor do banco. O senador nega irregularidades e afirma que não trabalhou para beneficiar o Banco Master. A investigação permanece em andamento. INVESTIGAÇÃO AINDA NÃO APONTA CONCLUSÃO SOBRE WAGNER O caso exige cautela porque os elementos divulgados até agora descrevem relações, contatos e suspeitas que ainda precisam ser esclarecidos pelas autoridades. A PF investiga o contexto das comunicações e eventual relação delas com operações ou interesses do Banco Master. Até o momento, não há decisão judicial que estabeleça responsabilidade criminal de Jaques Wagner pelos fatos mencionados. O senador deixou recentemente a liderança do governo no Senado em meio à repercussão das informações envolvendo sua relação com pessoas ligadas ao banco. LULA TAMBÉM SE REUNIU COM VORCARO Outro episódio que voltou ao centro do debate é um encontro entre Lula e Daniel Vorcaro ocorrido em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. A reunião não apareceu na agenda oficial de compromissos do presidente. Segundo informações confirmadas por CNN, UOL e Poder360, Vorcaro esteve no Planalto acompanhado de Guido Mantega e do então executivo do Banco Master Augusto Lima. Depois de uma conversa inicial com integrantes da Presidência, o grupo foi recebido por Lula. O então indicado para comandar o Banco Central, Gabriel Galípolo, também participou da reunião. Segundo relatos publicados na imprensa, Vorcaro teria apresentado ao presidente dificuldades enfrentadas pelo Banco Master. Lula afirmou posteriormente que a situação deveria ser analisada pelos órgãos responsáveis e que o governo investigaria eventuais irregularidades. O ENCONTRO NÃO É, POR SI SÓ, PROVA DE IRREGULARIDADE A reunião entre Lula e Vorcaro ocorreu antes da liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. O fato de o encontro não ter constado na agenda oficial gerou questionamentos públicos, mas não constitui, isoladamente, prova de irregularidade ou de favorecimento ao banco. Da mesma forma, a presença de Galípolo na reunião não demonstra, por si só, qualquer atuação irregular. O conteúdo e as circunstâncias do encontro são relevantes porque o caso Master posteriormente se transformou em uma investigação de grande dimensão. O CASO ENVOLVE DIFERENTES GRUPOS POLÍTICOS As investigações do Banco Master passaram a alcançar políticos e pessoas relacionadas a diferentes grupos e partidos. Além das apurações envolvendo Jaques Wagner, a PF identificou contatos entre Daniel Vorcaro e outras figuras políticas. Mensagens apreendidas também registraram relações do banqueiro com pessoas próximas a integrantes do Judiciário e do meio político. A própria dimensão do caso dificulta associá-lo exclusivamente a um único grupo político sem considerar os diferentes vínculos que estão sendo investigados. O QUE LULA DISSE SOBRE BOLSONARO Na entrevista à Super Rádio Tupi, Lula atribuiu responsabilidade política pelo episódio ao governo Bolsonaro, destacando que o Banco Master surgiu naquele período e que a instituição acabou sendo liquidada durante seu governo. O presidente também afirmou que o caso envolve valores bilionários e outras instituições financeiras e fundos de pensão. A declaração foi feita em um contexto eleitoral e provocou reação política, especialmente porque as investigações também alcançam pessoas ligadas ao atual campo político do presidente. INVESTIGAÇÃO DEVE ALCANÇAR TODOS OS ENVOLVIDOS O avanço da Operação Compliance Zero colocou sob investigação operações financeiras, relações empresariais e contatos políticos relacionados ao Banco Master. Relatório da PF divulgado nesta semana apontou que o Banco de Brasília (BRB) adquiriu cerca de R$ 17 bilhões em carteiras de crédito do Master, dos quais aproximadamente R$ 12,2 bilhões seriam compostos por títulos considerados falsos pelos investigadores. O caso ainda está em investigação, e diferentes envolvidos contestam as acusações ou negam participação em irregularidades. DEBATE POLÍTICO GANHA NOVO CAPÍTULO O episódio coloca Lula, Bolsonaro e diferentes figuras políticas no centro de uma disputa narrativa sobre quem deve responder politicamente pelos desdobramentos do Banco Master. De um lado, Lula aponta para o período Bolsonaro e para a trajetória do banco antes de sua liquidação. De outro, informações da investigação mostram que pessoas ligadas ao atual governo e ao PT também mantiveram relações com integrantes do grupo empresarial de Vorcaro. Isso, contudo, não significa que todos os envolvidos tenham praticado irregularidades. Cabe à investigação estabelecer quais contatos tiveram finalidade legítima, quais operações foram regulares e se houve, em algum caso, prática criminosa. O ponto central é que o caso Master não está restrito a uma única corrente política. A investigação deverá esclarecer, com base em documentos, contratos, mensagens e demais provas, a responsabilidade individual de cada pessoa eventualmente envolvida. Enquanto isso, as declarações políticas de Lula e seus adversários fazem parte da disputa pública em torno do caso, mas não substituem as conclusões que ainda serão produzidas pelas autoridades responsáveis pela investigação. Fonte: Polícia Federal; CNN Brasil; UOL; Poder360; Folha de S.Paulo; Revista Oeste. Navegação de Post BANCO MASTER PAGOU R$ 33 MILHÕES A ADVOGADA CITADA PELA PF COMO SUPOSTA “SÓCIA” DE GILMAR MENDES FUX E MENDONÇA NÃO CONSEGUEM ACESSAR ÍNTEGRA DO CELULAR DE VORCARO E ACIONAM PF