Ministro admite clube como amicus curiae em ações que questionam a proibição das apostas de quota fixa; Flamengo argumenta que mudança pode afetar contratos e receitas do futebol O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (30) a participação do Flamengo como amicus curiae — ou “amigo da Corte” — em ações que questionam a medida provisória do governo federal que determinou o fim das apostas de quota fixa no Brasil. A decisão permite que o clube apresente informações, argumentos e elementos técnicos relacionados aos impactos da medida sobre o futebol. O pedido do Flamengo foi feito no contexto das ações que tramitam sob a relatoria de Fux e discutem a constitucionalidade da Medida Provisória 1.394/2026. A entrada do clube no processo, entretanto, não representa uma decisão do STF contra a medida provisória. Fux apenas autorizou a participação do Flamengo no debate judicial. Flamengo contesta os efeitos da proibição Na manifestação encaminhada ao Supremo, o Flamengo sustenta que a mudança no marco das apostas pode provocar impactos significativos sobre contratos e receitas do clube. A preocupação está relacionada principalmente aos contratos de patrocínio firmados com empresas do setor de apostas, além dos efeitos indiretos sobre outras áreas da estrutura esportiva. O clube argumenta que uma mudança abrupta nas regras pode atingir compromissos assumidos quando as apostas esportivas estavam autorizadas e regulamentadas no país. O Flamengo também defende que o STF suspenda os efeitos da medida enquanto a questão constitucional é analisada. O que determina a MP 1.394/2026 A medida provisória foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro. O texto proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no território nacional. A MP também prevê a extinção das autorizações concedidas aos operadores e estabelece regras para o encerramento das atividades. Entre as medidas previstas está o fim das operações das plataformas autorizadas, com cronograma para encerramento e regras relacionadas aos saldos dos apostadores. A legislação anterior havia criado um marco regulatório para o setor, permitindo a atuação de empresas autorizadas e estabelecendo regras específicas para publicidade, tributação e proteção dos usuários. Clubes de futebol estão entre os mais afetados A proibição também atingiu diretamente o mercado de patrocínios esportivos. Clubes da Série A possuem contratos milionários com empresas de apostas, que se tornaram importantes fontes de receita nos últimos anos. Segundo levantamento citado pela Reuters, os patrocínios de bets movimentaram cerca de R$ 1 bilhão em 2025, equivalente a aproximadamente 10% das receitas recorrentes dos clubes da primeira divisão. O cenário abriu uma discussão entre dirigentes sobre contratos já assinados, receitas previstas e necessidade de encontrar novos patrocinadores. No caso do Flamengo, o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, já havia criticado publicamente a medida e mencionado os impactos sobre as finanças do clube. Flamengo quer participar diretamente da discussão no STF Ao aceitar o pedido, Fux reconheceu a relação direta do Flamengo com o tema discutido nas ações. Como amicus curiae, o clube não passa a ser autor da ação, mas pode contribuir com informações e argumentos que serão considerados no julgamento. O Flamengo está entre as instituições esportivas que defendem a revisão da proibição e argumentam que o encerramento repentino do mercado pode produzir efeitos financeiros relevantes para o futebol brasileiro. Ações já estavam no STF Antes da entrada do Flamengo, associações ligadas ao setor de apostas já haviam recorrido ao Supremo para tentar suspender a MP. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) questionaram a constitucionalidade da medida e pediram a suspensão de seus efeitos. As entidades argumentam, entre outros pontos, que a mudança ocorreu de forma abrupta e poderia prejudicar empresas que fizeram investimentos sob o marco regulatório anterior. A Advocacia-Geral da União (AGU) também pediu prazo para se manifestar antes de uma eventual decisão de Fux sobre os pedidos de suspensão da medida. Governo defende a proibição O governo federal, por sua vez, defende a medida e sustenta que a restrição às apostas está relacionada à necessidade de enfrentar problemas associados ao jogo e ao endividamento das famílias. Lula afirmou publicamente que a proibição não deveria ser interpretada como uma ameaça ao futebol e citou que os grandes momentos da história da modalidade ocorreram antes da existência das bets. Assim, enquanto o governo sustenta a necessidade da mudança, empresas do setor e instituições esportivas questionam seus efeitos jurídicos e econômicos. STF terá de analisar os argumentos Com a entrada do Flamengo, o Supremo passa a contar também com a manifestação de um dos principais clubes brasileiros no debate sobre os efeitos da MP. O ponto central das ações é saber se a medida adotada pelo governo atende aos requisitos constitucionais para uma mudança dessa dimensão e se seus efeitos devem permanecer enquanto o Congresso analisa a medida provisória. Até o momento, a decisão de Fux sobre a participação do Flamengo não representa o julgamento definitivo da constitucionalidade da MP. O processo continua em tramitação no Supremo. Entenda o caso 25 de setembro: Lula assinou a MP 1.394/2026, que proíbe as apostas de quota fixa no Brasil. 28 de setembro: entidades do setor acionaram o STF para tentar suspender a medida. 29/30 de setembro: o Flamengo pediu para ingressar nos processos como amicus curiae. 30 de setembro: Luiz Fux autorizou a participação do clube nas ações. Próximo passo: o STF deverá analisar os pedidos relacionados à suspensão da medida e, posteriormente, o mérito das ações. Fonte: Supremo Tribunal Federal, Reuters, Agência Brasil e veículos de imprensa. Navegação de Post NIKOLAS SOBRE A IMPORTÂNCIA DE VOTAR BEM: “NÃO É SOBRE OS PRÓXIMOS 4 ANOS, É SOBRE OS PRÓXIMOS 40” Mulher condenada à morte sobrevive após duas injeções letais nos EUA