STF retira sigilo de documentos da Polícia Civil de São Paulo que apontam inconsistências financeiras e possíveis conexões com organização criminosa Novos documentos incorporados às investigações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, colocaram o deputado federal Mário Frias (PL-SP) no centro das suspeitas analisadas pelas autoridades. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o levantamento do sigilo de aproximadamente 5 mil páginas de documentos apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo durante uma investigação que começou a apurar possíveis irregularidades envolvendo contratos públicos e empresas relacionadas à produtora do filme. O material inclui documentos financeiros, dados obtidos de celulares e computadores e informações sobre empresas e entidades ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment. “MÁRIO” APARECE EM ORGANOGRAMA APREENDIDO Entre os elementos revelados está um organograma encontrado pela Polícia Civil que identifica uma pessoa chamada “Mário” como sócia de uma estrutura empresarial ligada à produtora nos Estados Unidos. O documento não apresenta o sobrenome da pessoa identificada como “Mário”. Entretanto, os investigadores levantam a hipótese de que a referência seja ao deputado Mário Frias, que é roteirista e produtor executivo de “Dark Horse”. A investigação ainda precisa confirmar formalmente a identidade da pessoa mencionada no organograma. Portanto, o documento, isoladamente, não permite afirmar que o parlamentar seja o “Mário” citado. OPERAÇÃO INVESTIGA POSSÍVEL DESVIO DE RECURSOS PÚBLICOS A apuração ganhou força com a Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal em 10 de setembro. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos estavam Mário Frias e Karina Gama. Segundo a PF, as investigações apontam para uma possível organização criminosa que teria utilizado recursos públicos de maneira irregular, incluindo valores provenientes de emendas parlamentares. Os investigadores apuram possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações. R$ 2 MILHÕES EM EMENDAS ESTÃO NO CENTRO DA APURAÇÃO Segundo informações divulgadas pela TV Brasil, cerca de R$ 2 milhões provenientes de emendas parlamentares foram destinados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada a Karina Gama. A investigação busca esclarecer se parte desses recursos teria posteriormente circulado por empresas relacionadas à produtora do filme. Um dos fluxos financeiros analisados envolve R$ 700 mil recebidos por empresas ligadas ao grupo e, posteriormente, um repasse de R$ 750 mil para a Go Up Entertainment. A Polícia Federal ressalva que os elementos disponíveis não permitem afirmar que os R$ 750 mil tenham origem direta nas emendas, mas considera relevantes as coincidências de valores, datas e empresas envolvidas. INVESTIMENTO DE FRIAS TAMBÉM É INVESTIGADO Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a movimentação financeira envolvendo o próprio Mário Frias. Segundo informações apresentadas na investigação, o deputado teria transferido aproximadamente R$ 645,4 mil para a Go Up Entertainment em menos de dois meses. A PF considerou a movimentação atípica diante dos rendimentos mensais do parlamentar, estimados em aproximadamente R$ 44 mil. O objetivo da investigação é determinar a origem dos recursos e entender como eles foram utilizados na produção do longa-metragem. DESPESAS DURANTE AS FILMAGENS Os investigadores também analisaram despesas realizadas pela produtora durante o período de gravações. De acordo com os documentos citados na decisão judicial, entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025, a Go Up teria desembolsado cerca de R$ 906,7 mil com hospedagem e outros R$ 653 mil com alimentação. A PF relaciona essas despesas ao período em que ocorreram as filmagens de “Dark Horse” e busca determinar a origem dos recursos utilizados para custear a produção. POSSÍVEIS CONEXÕES COM O PCC Um dos aspectos mais sensíveis revelados pela investigação da Polícia Civil é a existência de possíveis conexões financeiras ou empresariais com pessoas que seriam ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a decisão de Flávio Dino, os documentos apontam indícios que precisam ser aprofundados para verificar se recursos públicos movimentados por empresas e entidades investigadas tiveram alguma relação com estruturas criminosas. A eventual ligação com o PCC é uma linha investigativa, e não uma conclusão definitiva de que os envolvidos no filme pertençam à organização criminosa. CONTRATO DE MAIS DE R$ 150 MILHÕES TAMBÉM É INVESTIGADO A investigação paulista que deu origem a parte dos documentos está relacionada a um contrato de valor superior a R$ 150 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de internet Wi-Fi. O contrato envolve o Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada a Karina Gama. A Polícia Civil passou a investigar suspeitas de irregularidades nesse contrato e encontrou elementos que levaram os investigadores a analisar possíveis conexões com a produção de “Dark Horse”. PF ASSUMIU ACESSO AO MATERIAL Dino determinou que o material obtido pela Polícia Civil fosse disponibilizado à Polícia Federal. A decisão busca centralizar as informações relacionadas às diferentes frentes de investigação e permitir que os investigadores federais analisem os documentos, dados financeiros e dispositivos apreendidos. O ministro também retirou o sigilo do material, ampliando a transparência sobre as informações que fundamentaram as medidas judiciais. CASO ENVOLVE OUTRA INVESTIGAÇÃO SOBRE BANCO MASTER A investigação sobre “Dark Horse” possui ainda outra frente no STF. O ministro André Mendonça conduz uma apuração relacionada a um suposto repasse de R$ 61 milhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro, para a produção do filme. A investigação teve origem após a divulgação de áudios nos quais o senador Flávio Bolsonaro aparece pedindo recursos a Vorcaro para ajudar a concluir as filmagens. Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade e afirma que os recursos destinados ao filme eram privados. MÁRIO FRIAS NEGA IRREGULARIDADES Mário Frias contesta as suspeitas e afirma que não cometeu crime. Em manifestação pública, o deputado disse que os recursos de suas emendas foram destinados a projetos sociais e afirmou que pretende apresentar os documentos necessários para colaborar com as investigações. A defesa também critica a condução da investigação e sustenta que o parlamentar busca acesso aos elementos do inquérito. Karina Gama, por sua vez, nega irregularidades relacionadas à produção. INVESTIGAÇÃO AINDA NÃO SIGNIFICA CONDENAÇÃO Apesar da quantidade de documentos apreendidos e das suspeitas apresentadas pelas autoridades, o caso ainda está em fase de investigação. Mário Frias não foi condenado pelos crimes investigados. As autoridades ainda precisam confirmar a origem dos recursos, a efetiva participação de cada pessoa e se houve utilização irregular de dinheiro público. As informações divulgadas até agora representam elementos de investigação e decisões judiciais, não uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos. O QUE ACONTECE AGORA Com o levantamento do sigilo e a transferência do material para a Polícia Federal, a tendência é de ampliação das análises sobre: movimentações financeiras; origem dos recursos utilizados no filme; repasses de emendas parlamentares; contratos públicos envolvendo o Instituto Conhecer Brasil; relações empresariais da produtora Go Up; participação de Mário Frias na estrutura financeira do projeto; eventual existência de conexões com organizações criminosas; e possíveis irregularidades envolvendo recursos do Banco Master. O caso agora reúne diferentes frentes de investigação sob acompanhamento do Supremo Tribunal Federal. A produção de “Dark Horse”, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro, passou de um projeto cinematográfico para o centro de uma complexa investigação envolvendo emendas parlamentares, empresas privadas, contratos públicos, movimentações financeiras e suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Até o momento, as suspeitas continuam sob investigação e qualquer responsabilidade criminal deverá ser definida pela Justiça após o devido processo legal. Fontes: Polícia Federal, Supremo Tribunal Federal, Agência Brasil, TV Brasil, Folha de S.Paulo e UOL. Navegação de Post SEGURANÇA DE VIRGINIA FONSECA E ESPOSA MORREM EM ACIDENTE DE MOTO MENDONÇA AUTORIZA BLOQUEIO DE R$ 2 BILHÕES EM BENS LIGADOS A VORCARO