Indicador da S&P Global recuou de 46,3 para 44,8 pontos em setembro, no quinto mês consecutivo de retração; demanda enfraquecida, custos maiores e incertezas pré-eleitorais pesaram sobre o setor

A indústria brasileira apresentou forte deterioração em setembro, segundo o Índice de Gerentes de Compras (PMI) da S&P Global. O indicador caiu de 46,3 pontos em agosto para 44,8 em setembro, permanecendo abaixo da marca de 50 pontos, que separa, na metodologia do índice, expansão de contração da atividade manufatureira.

O resultado representou a quinta queda consecutiva do PMI e marcou a maior deterioração das condições operacionais do setor desde abril de 2023. A produção das fábricas também recuou pelo quinto mês seguido, com o ritmo de contração sendo o mais intenso desde o início da pandemia, em 2020.

Demanda mais fraca pressiona as fábricas

De acordo com a pesquisa, a perda de força da demanda foi um dos principais fatores por trás do resultado. As empresas relataram redução mais acentuada na produção e nos novos pedidos, em um cenário marcado também por concorrência elevada e incertezas relacionadas ao período eleitoral.

Os novos negócios apresentaram a maior taxa de contração em quase quatro anos, enquanto os pedidos de exportação também recuaram pelo quinto mês consecutivo.

A diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna De Lima, afirmou que setembro foi um mês mais difícil para os fabricantes. Segundo a análise da S&P, as empresas reduziram compras e estoques como forma de proteger o fluxo de caixa diante da menor demanda.

Custos voltam a pressionar

Além da queda nas vendas, as empresas enfrentaram aumento dos custos de produção.

A pesquisa apontou elevação dos preços de materiais importados e dos custos de transporte internacional. Ao mesmo tempo, a concorrência e a fraqueza da demanda limitaram a capacidade das indústrias de repassar integralmente os aumentos aos consumidores.

Com menor volume de negócios, as empresas também reduziram a atividade de compras pelo quinto mês consecutivo. Os estoques de insumos registraram uma das quedas mais fortes da série recente.

Emprego industrial também recua

O mercado de trabalho do setor manufatureiro apresentou nova deterioração.

Segundo os dados do levantamento, o número de empregados na indústria caiu pelo terceiro mês consecutivo. A velocidade das demissões, entretanto, foi menor do que a registrada em agosto.

A redução do número de funcionários ocorreu em meio à diminuição das cargas de trabalho e à queda dos pedidos, cenário que levou as empresas a ajustar capacidade e estoques.

Média do terceiro trimestre também piora

O desempenho de setembro puxou a média do PMI industrial do terceiro trimestre para 46,2 pontos, o menor resultado trimestral desde o segundo trimestre de 2023.

O resultado indica que a fraqueza não ficou restrita a um único mês. O setor atravessou o trimestre com perda de ritmo e chegou ao fim de setembro em uma situação mais contracionista do que a observada nos meses anteriores.

Incerteza eleitoral pesa sobre empresas

A pesquisa também identificou a incerteza política antes das eleições presidenciais de outubro como um dos fatores que afetaram as vendas e as decisões empresariais.

O levantamento, contudo, não estabelece que a política econômica do governo federal seja a causa isolada da retração. O resultado reúne diferentes fatores apontados pelos empresários, incluindo demanda enfraquecida, competição, custos de insumos e transporte e incerteza no ambiente de negócios.

Há uma sinalização positiva

Apesar dos números negativos, houve um ponto de melhora no levantamento: a confiança das empresas para os próximos 12 meses aumentou em relação a agosto.

Segundo Pollyanna De Lima, essa maior confiança está relacionada à expectativa de que as condições de mercado possam melhorar depois das eleições.

Isso significa que, embora os indicadores atuais apontem contração, parte dos empresários espera uma recuperação das condições de negócios no próximo ano.

PMI não é o mesmo que produção oficial

O PMI é um indicador baseado em pesquisa com empresas e funciona como um termômetro mensal das condições de negócios no setor privado. Uma leitura abaixo de 50 indica contração em relação ao mês anterior.

O indicador, portanto, não substitui os dados oficiais de produção industrial calculados pelo IBGE, que são divulgados posteriormente e utilizam outra metodologia.

O retrato da indústria em setembro

  • PMI em setembro: 44,8 pontos;
  • PMI em agosto: 46,3 pontos;
  • Queda mensal: 1,5 ponto;
  • Quinto mês consecutivo de retração da produção;
  • Maior deterioração das condições operacionais desde abril de 2023;
  • Produção em queda no ritmo mais forte desde o início de 2020;
  • Novos pedidos recuaram no ritmo mais intenso em quase quatro anos;
  • Emprego caiu pelo terceiro mês consecutivo;
  • Custos de materiais importados e transporte aumentaram;
  • Empresas reduziram compras e estoques;
  • Confiança para os próximos 12 meses melhorou.

O resultado coloca a indústria brasileira diante de um cenário de forte desaceleração no fim do terceiro trimestre. Ao mesmo tempo, a melhora das expectativas empresariais para os próximos 12 meses indica que parte do setor aposta em condições de mercado mais favoráveis após o período eleitoral.

Fonte: S&P Global, Reuters e Estadão Conteúdo.

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