Candidato à Presidência defende medida mais rigorosa contra crimes sexuais; presidente foi alvo de críticas após declaração feita durante comício em Belém Enquanto o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) defende a adoção da castração química para condenados por crimes sexuais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a ser alvo de críticas após uma declaração sobre mulheres “aprenderem a tomar toque desde pequenas”. Os dois episódios entraram no debate político nesta semana por tratarem de temas relacionados à violência sexual, proteção de mulheres e crianças e políticas de prevenção e punição. FLÁVIO DEFENDE CASTRAÇÃO QUÍMICA A proposta defendida por Flávio Bolsonaro prevê o endurecimento das medidas aplicadas a condenados por crimes sexuais. Em seu plano de governo, o candidato inclui a castração química para abusadores, além do monitoramento de agressores por tornozeleiras eletrônicas. A chamada castração química consiste no uso de tratamento hormonal para reduzir a libido. A medida aparece em diferentes projetos atualmente em discussão no Congresso Nacional. Um dos textos em tramitação na Câmara, o PL 733/2026, prevê tratamento hormonal inibidor da libido, sob controle judicial e avaliação médica, para condenados por crimes sexuais contra crianças e adolescentes, além de monitoramento eletrônico. Outro projeto, o PL 3158/2026, também prevê tratamento químico hormonal como medida de acompanhamento médico e condição especial de execução penal para condenados por determinados crimes sexuais. Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em junho informou que havia diversos projetos sobre castração química em tramitação no Congresso e que as propostas defendidas por Flávio enfrentavam dificuldades para avançar. FALA DE LULA REPERCUTE A controvérsia envolvendo Lula ocorreu durante um comício realizado em Belém (PA), na noite de 28 de setembro. Ao defender a realização de exames preventivos contra o câncer de próstata, o presidente afirmou que homens costumam apresentar resistência ao exame e comparou essa postura com os cuidados ginecológicos realizados por mulheres. Na ocasião, Lula disse que “as mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”. A declaração foi amplamente repercutida e gerou críticas de adversários políticos pela escolha das palavras. O contexto divulgado, entretanto, mostra que Lula estava falando sobre exames médicos e tentando estabelecer uma comparação entre os cuidados de saúde femininos e masculinos. O PT também afirmou que o presidente se referia a exames ginecológicos e que o trecho vinha sendo utilizado fora de contexto por seus adversários. DEBATE SOBRE MULHERES E CRIANÇAS A expressão utilizada pelo presidente provocou questionamentos justamente pela referência a mulheres “desde pequenas”. Críticos argumentaram que a escolha das palavras seria inadequada para tratar de um assunto envolvendo exames médicos e menores de idade. Por outro lado, checagens e relatos sobre o discurso indicam que a fala estava inserida em uma discussão sobre prevenção e exames de saúde, e não em uma defesa de abuso sexual ou pedofilia. Assim, a repercussão política passou a envolver duas discussões distintas: a defesa de medidas mais severas contra autores de crimes sexuais e a controvérsia provocada pela maneira como Lula se expressou ao falar de exames preventivos. DOIS DISCURSOS EM DEBATE Flávio Bolsonaro apresenta a castração química como parte de uma política de endurecimento contra crimes sexuais, enquanto Lula, no episódio de Belém, abordava a importância da prevenção e do diagnóstico de doenças. A comparação entre os dois episódios passou a ser utilizada no debate eleitoral para discutir diferentes abordagens sobre segurança, prevenção e proteção de mulheres e crianças. A adoção da castração química, por sua vez, continua sendo objeto de propostas legislativas distintas no Congresso, com diferentes formatos e condições previstas nos textos. Portanto, a defesa política da medida não significa que ela já faça parte da legislação brasileira vigente. O episódio envolvendo Lula também permanece no campo do debate político, com críticas de adversários e explicações de aliados sobre o contexto da declaração. Fonte Câmara dos Deputados, Folha de S.Paulo, Poder360, Metrópoles e registros públicos da declaração realizada por Lula em Belém. Navegação de Post SENADOR CARLOS VIANA DENUNCIA FALA DE LULA SOBRE “TOQUES DESDE PEQUENAS” À DELEGACIA DA MULHER E AO MP PROTESTO NO FUTEBOL: CLUBES COGITAM PARALISAR O BRASILEIRÃO APÓS MP DE LULA CONTRA AS BETS