O endividamento das famílias brasileiras alcançou um novo recorde histórico em julho de 2026. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 82% das famílias do país possuem algum tipo de dívida, marcando o sexto mês consecutivo de alta no indicador.

O levantamento considera compromissos financeiros como cartão de crédito, carnês, crédito consignado, empréstimos pessoais e financiamentos de bens. Entre esses, o cartão de crédito segue como o principal responsável pelo endividamento, presente em cerca de 85% das famílias que possuem dívidas.

A situação é mais preocupante entre os brasileiros de menor renda. Nas famílias com rendimento de até três salários mínimos, o índice de endividamento chegou a 84,9%. Já entre aquelas com renda superior a dez salários mínimos, o percentual ficou em 72%, indicando menor pressão financeira nesse grupo.

Outro dado que chama atenção é o comprometimento da renda mensal. Segundo a pesquisa, aproximadamente 19% dos consumidores utilizam mais da metade do que recebem todos os meses apenas para pagar parcelas e dívidas, reduzindo significativamente a capacidade de consumo e de formação de reserva financeira.

Apesar do aumento do endividamento, a inadimplência apresentou uma leve melhora. O percentual de famílias com contas em atraso caiu de 29,9% para 29,8%. A CNC atribui essa pequena redução às negociações e renegociações de dívidas realizadas nos últimos meses.

O tempo médio de atraso das contas também apresentou queda, passando para 64,6 dias. Para a entidade, o resultado demonstra que parte dos consumidores conseguiu reorganizar suas finanças, embora o elevado nível de endividamento continue sendo motivo de preocupação.

Especialistas alertam que a combinação de juros elevados, custo de vida pressionado e uso intenso do crédito exige maior planejamento financeiro por parte das famílias para evitar que o endividamento evolua para inadimplência e comprometa ainda mais o orçamento doméstico.

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