Ex-deputado se reuniu em Washington com integrantes do Departamento de Estado e defendeu a retomada da Lei Global Magnitsky contra Alexandre de Moraes e a aplicação de medidas contra Flávio Dino e Gilmar Mendes

REDAÇÃO
16/09/2026

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo se reuniram nesta quarta-feira (16), em Washington, com integrantes do governo dos Estados Unidos, incluindo representantes do Departamento de Estado, para defender novas sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os nomes citados estão Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes.

A reunião ocorreu um dia depois da sessão do STF que analisou uma questão relacionada ao relatório da Polícia Federal no âmbito do Caso Master e às circunstâncias envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Durante a sessão de terça-feira (15), os ministros discutiram se os processos envolvendo Moraes e André Mendonça deveriam ser analisados conjuntamente. O placar parcial ficou em 4 votos a 3 pela separação dos casos. A análise foi interrompida após um pedido de vista apresentado pelo ministro Flávio Dino. Com isso, não houve decisão definitiva sobre a abertura de uma eventual investigação contra Moraes.

PEDIDO DE RETOMADA DA LEI MAGNITSKY

Segundo Paulo Figueiredo, a principal reivindicação apresentada aos representantes americanos foi a retomada das sanções contra Alexandre de Moraes com base na Lei Global Magnitsky.

Moraes foi incluído pelo governo dos Estados Unidos em medidas de sanção em 2025, mas a designação foi posteriormente retirada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão ligado ao Departamento do Tesouro americano, em dezembro daquele ano.

Figueiredo afirmou que, na avaliação dele e de Eduardo Bolsonaro, os acontecimentos recentes relacionados ao Caso Master justificariam uma nova designação de Moraes.

Além disso, os dois defenderam que medidas semelhantes sejam consideradas contra Flávio Dino e Gilmar Mendes. Figueiredo alegou que haveria elementos para enquadrar os dois ministros em critérios previstos pela legislação americana. Essas afirmações representam a posição dos próprios articuladores da campanha por sanções e não significam que o governo dos EUA tenha decidido aplicar as medidas.

PRESSÃO INTERNACIONAL AUMENTA

A movimentação ocorre em meio ao aumento da pressão internacional sobre o STF. Na mesma quarta-feira, o deputado republicano americano Chris Smith encaminhou uma carta à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), pedindo atenção para questões relacionadas à liberdade de expressão e às instituições brasileiras durante o período eleitoral.

Eduardo Bolsonaro já havia afirmado, após a sessão do STF de terça-feira, que pretendia apresentar às autoridades americanas registros do julgamento para sustentar sua defesa por uma nova rodada de sanções.

Em Washington, a agenda também inclui outras reuniões com integrantes do governo americano. Segundo informações divulgadas anteriormente, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo pretendem continuar os contatos na quinta-feira (17), inclusive com representantes da Casa Branca.

CASO MASTER NO CENTRO DA DISPUTA

O Caso Master passou a ocupar posição central na discussão após a Polícia Federal identificar mensagens e contatos envolvendo Daniel Vorcaro e diferentes autoridades.

No STF, o assunto provocou uma sessão marcada por divergências entre ministros, especialmente entre André Mendonça, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. O pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a análise de uma questão relacionada ao prosseguimento do caso.

A eventual aplicação de novas sanções, entretanto, depende de uma decisão das autoridades americanas. Até o momento, a reunião realizada em Washington representa uma solicitação apresentada por Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, e não uma confirmação de que novas punições tenham sido oficialmente anunciadas.

O episódio amplia a dimensão internacional da crise envolvendo o STF e coloca novamente a Lei Global Magnitsky no centro do debate entre autoridades brasileiras, políticos americanos e integrantes do governo dos Estados Unidos.

Fonte: CNN Brasil, Reuters, Folha de S.Paulo e informações divulgadas pelos envolvidos.

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