Mercado financeiro reage ao resultado das urnas, com forte valorização do real, queda dos juros futuros e disparada da Bolsa; investidores passam a precificar maior possibilidade de uma agenda econômica liberal a partir de 2027 O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte otimismo ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. A liderança de Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a primeira etapa da disputa com cerca de 2,2 milhões de votos à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provocou uma forte valorização dos ativos brasileiros nesta segunda-feira (5). O dólar à vista encerrou o pregão em queda de 4,12%, cotado a R$ 5,0018, depois de chegar a ser negociado próximo de R$ 4,95 durante a manhã. Foi o menor valor de fechamento da moeda americana desde 21 de maio. A reação não ficou restrita ao câmbio. O Ibovespa disparou 7,71%, aos 206.920 pontos, superando pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos no fechamento. O movimento ocorreu no primeiro pregão após a votação do domingo (4). FLÁVIO TERMINA PRIMEIRO TURNO À FRENTE Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos. Segundo os dados da apuração, Flávio recebeu mais de 56,1 milhões de votos, enquanto Lula ficou com aproximadamente 53,9 milhões. A diferença percentual entre os dois candidatos foi de 1,87 ponto percentual. O resultado surpreendeu parte do mercado porque pesquisas divulgadas na reta final da campanha indicavam uma vantagem de Lula ou, em alguns levantamentos, empate técnico entre os dois candidatos. A eleição também produziu uma mudança importante na composição política do Congresso, com avanço do campo da direita, especialmente no Senado. Investidores também consideraram o resultado de eleições estaduais, incluindo a reeleição de Tarcísio de Freitas em São Paulo. MERCADO PASSA A PRECIFICAR MUDANÇA NA POLÍTICA ECONÔMICA Para Cristiano Oliveira, diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, a reação dos mercados está relacionada ao aumento das expectativas de que uma eventual vitória de Flávio possa resultar em uma política econômica mais liberal a partir de 2027. Segundo o economista, o mercado estaria antecipando uma possível mudança de agenda econômica, principalmente caso o candidato apresente nomes para a equipe econômica associados a reformas estruturais e medidas capazes de reduzir o prêmio de risco brasileiro. A avaliação é que uma eventual percepção de maior responsabilidade fiscal e uma agenda pró-mercado poderiam favorecer a entrada de recursos estrangeiros e aumentar a valorização do real. DÓLAR ACUMULA QUEDA DE 8,88% EM 2026 Com o tombo desta segunda-feira, o dólar passou a acumular desvalorização de 8,88% frente ao real em 2026. O desempenho colocou a moeda brasileira entre as que mais se valorizaram no ano entre as principais divisas globais. O real, segundo a análise citada pelo mercado, apresenta desempenho inferior apenas ao peso colombiano nesse grupo. O movimento chama atenção porque ocorreu mesmo diante de um cenário internacional considerado menos favorável para moedas emergentes. Os juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os chamados Treasuries, permanecem elevados e funcionam como fator de pressão sobre moedas de países emergentes. QUEDA DO DÓLAR E ALTA DA BOLSA O comportamento do câmbio veio acompanhado de forte valorização da Bolsa brasileira. O Ibovespa chegou a superar os 209 mil pontos durante o pregão, antes de encerrar aos 206.920 pontos, em alta de 7,71%. A leitura predominante entre investidores foi de redução do prêmio de risco associado ao cenário político e econômico brasileiro após o resultado eleitoral. No mercado de juros, as taxas dos contratos futuros também recuaram de forma significativa, reforçando a percepção de que os investidores passaram a trabalhar com um cenário econômico diferente para os próximos anos. HÁ ESPAÇO PARA NOVA QUEDA DO DÓLAR? Para Cristiano Oliveira, ainda existe espaço para uma nova rodada de valorização do real caso Flávio confirme o favoritismo e apresente uma equipe econômica que sinalize reformas estruturais de médio e longo prazo. A avaliação é que nomes considerados mais favoráveis ao mercado poderiam contribuir para diminuir ainda mais o prêmio de risco do Brasil. O economista também destaca a força das contas externas brasileiras, do investimento direto e da balança comercial como fatores que podem sustentar o real. Em uma análise semelhante, especialistas do mercado avaliam que uma eventual apresentação mais detalhada do programa econômico de Flávio poderá ser determinante para a continuidade do movimento de valorização dos ativos brasileiros. ELEIÇÃO AINDA NÃO ESTÁ DECIDIDA Apesar da reação positiva dos mercados, o resultado financeiro não significa que a eleição esteja definida. Flávio e Lula disputarão o segundo turno em 25 de outubro, e os votos recebidos pelos demais candidatos, além da abstenção e dos eleitores que ainda não decidiram seu voto, serão fundamentais para o resultado final. A diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos dá vantagem numérica a Flávio, mas a margem de apenas 1,87 ponto percentual mostra que a disputa continua aberta. O mercado, entretanto, já começou a reagir ao novo cenário político. A forte queda do dólar e a disparada da Bolsa mostram que investidores estão incorporando aos preços a possibilidade de uma mudança na orientação econômica do país a partir de 2027. Fonte: Agências de notícias, Jornal do Comércio, InfoMoney, Poder360 e dados do TSE. 📌 RESUMO DOS MERCADOS Dólar: R$ 5,0018 — queda de 4,12% Mínima do dólar: aproximadamente R$ 4,95 Queda do dólar em 2026: 8,88% Ibovespa: 206.920 pontos Alta do Ibovespa: 7,71% Flávio Bolsonaro: 47,03% Lula: 45,16% Diferença: cerca de 2,2 milhões de votos Segundo turno: 25 de outubro Navegação de Post COM PAÍS DIVIDIDO PELA POLARIZAÇÃO, FLÁVIO BOLSONARO E LULA VÃO AO SEGUNDO TURNO PELA PRESIDÊNCIA CRIPTOMOEDAS: BITCOIN OPERA EM ALTA COM ALÍVIO EM PERSPECTIVA PARA O FED