Cantora fez uma manifestação política no palco ao lado dos Gilsons e do Olodum; produção de “Dark Horse” é alvo de investigação da Polícia Federal sobre suspeitas envolvendo recursos públicos e financiamento do longa REDAÇÃO A cantora Daniela Mercury aproveitou sua apresentação no Rock in Rio, no sábado (12), para fazer uma manifestação política relacionada ao filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante o show, realizado no Palco Sunset ao lado dos Gilsons e do Olodum, uma atriz apareceu caracterizada como um cavalo preto e distribuiu notas cenográficas de dinheiro com a frase “proteja a democracia”. A referência foi interpretada como uma crítica ao filme e às suspeitas que atualmente cercam seu financiamento. Em publicação nas redes sociais, Daniela Mercury afirmou que a mensagem era de defesa da democracia e da soberania brasileira. O QUE É O “DARK HORSE” “Dark Horse” é uma produção cinematográfica baseada na trajetória de Jair Bolsonaro. O ex-presidente é interpretado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, e o projeto tem entre seus principais nomes o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que participou da concepção e da produção do longa. O filme entrou no centro do debate político e policial depois que vieram a público informações sobre sua estrutura de financiamento e a participação do então banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo informações reunidas pela imprensa a partir das investigações, Flávio Bolsonaro participou de negociações para obtenção de recursos destinados à produção. O senador reconhece que buscou apoio financeiro para o projeto, mas nega qualquer irregularidade. PF INVESTIGA POSSÍVEL DESVIO DE RECURSOS A Polícia Federal deflagrou, em 10 de setembro, a Operação Make Up, com 49 mandados de busca e apreensão em diferentes estados e no Distrito Federal. A investigação apura suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares, irregularidades em contratos públicos e movimentações financeiras internacionais que poderiam ter relação com a produção do filme e empresas ligadas ao projeto. Entre os alvos da operação estão Mário Frias e a empresária Karina Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment. Também foram realizadas buscas relacionadas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura. De acordo com a PF, uma das linhas investigativas envolve a possibilidade de recursos de emendas parlamentares terem sido desviados ou redirecionados para empresas relacionadas à produção. Uma das suspeitas mencionadas pela investigação envolve aproximadamente R$ 750 mil, valor que teria circulado em operações consideradas suspeitas. A PF, porém, ainda investiga a origem exata dos recursos e não estabeleceu definitivamente que esse montante tenha origem direta em verba pública. DINHEIRO DE VORCARO TAMBÉM ESTÁ NO RADAR Outro ponto investigado é a participação financeira de Daniel Vorcaro. Relatórios e informações obtidas pela PF apontam movimentações envolvendo empresas relacionadas ao financiamento do filme. Segundo reportagem do UOL, a polícia analisa dados financeiros e transações realizadas durante o período de produção do longa. A produtora, por sua vez, apresentou uma perícia particular segundo a qual o custo da produção no Brasil teria sido de aproximadamente R$ 20 milhões, com parcela significativa dos recursos proveniente do exterior. Há, contudo, divergências entre os dados apresentados pela perícia privada e informações analisadas pela PF e pelo Coaf, especialmente sobre a origem dos recursos e os valores movimentados durante o período das filmagens. DINO RETIRA SIGILO DE DOCUMENTOS Neste domingo (13), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou a retirada do sigilo de aproximadamente 5 mil páginas de documentos apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo em investigação envolvendo a produtora de “Dark Horse”. A decisão também prevê o compartilhamento de materiais com a Polícia Federal, incluindo dados extraídos de celulares, computadores e documentos apreendidos. Segundo Dino, existem elementos que justificam aprofundar a investigação sobre possíveis desvios de recursos públicos e movimentações financeiras relacionadas às empresas investigadas. A decisão ocorre em meio a uma disputa sobre a condução das investigações no STF. Existem dois inquéritos relacionados ao caso, com medidas distribuídas entre os ministros Flávio Dino e André Mendonça. PRODUTORA NEGA IRREGULARIDADES Os envolvidos negam irregularidades. Mário Frias e Karina Gama contestaram a operação e afirmaram que os recursos utilizados na produção do filme são de origem privada ou foram empregados de forma regular. Flávio Bolsonaro também nega ter cometido qualquer irregularidade e defende que o financiamento do filme seja tratado como uma operação privada. Até o momento, as suspeitas investigadas pela Polícia Federal não equivalem a uma condenação ou comprovação definitiva de crime. A investigação ainda busca esclarecer a origem e o destino dos recursos e eventual responsabilidade individual dos envolvidos. PROTESTO GANHA REPERCUSSÃO A manifestação de Daniela Mercury no Rock in Rio colocou novamente o “Dark Horse” no centro do debate público. O uso do cavalo preto — referência direta ao título do filme — e das notas cenográficas com a mensagem de defesa da democracia transformou o momento musical em um ato de crítica política. O episódio ocorre justamente quando a produção enfrenta uma nova fase das investigações policiais, com apreensões, quebra de sigilos e análise de documentos financeiros. Enquanto os investigadores buscam esclarecer se houve utilização irregular de recursos públicos ou outras ilegalidades no financiamento do longa, seus responsáveis sustentam que não cometeram crimes. O caso permanece em investigação e novas informações poderão esclarecer a origem dos recursos utilizados na produção de “Dark Horse” e eventual responsabilidade dos envolvidos. Fontes: Polícia Federal; STF; UOL; Folha de S.Paulo; TV Brasil/EBC; VEJA Rio; CNN Brasil. Navegação de Post IRMÃ CAÇULA, RECÉM-CONTRATADA E PERTO DA FORMATURA: QUEM ERA A ESTUDANTE DE 21 ANOS MORTA APÓS REAGIR A UMA TENTATIVA DE ESTUPRO ULA E FLÁVIO BOLSONARO DISPUTAM ESPAÇO NOS TRÊS MAIORES COLÉGIOS ELEITORAIS DO PAÍS