Material extraído pela Polícia Federal dos celulares de Daniel Vorcaro reúne cerca de 5 mil itens classificados como “Score nudez”; dados integram um conjunto de aproximadamente 500 GB sob análise no caso Banco Master

A perícia realizada pela Polícia Federal nos celulares de Daniel Vorcaro identificou cerca de 5 mil itens classificados tecnicamente como “Score nudez”, segundo informações divulgadas neste domingo (20). O material faria parte de um conjunto de aproximadamente 500 GB de dados extraídos dos aparelhos do empresário, incluindo imagens, vídeos, mensagens e outros registros digitais.

A classificação inclui conteúdos identificados durante a triagem forense como imagens de nudez e registros de natureza sexual. O material foi catalogado pela perícia e passou a integrar o conjunto de informações analisadas no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.

MATERIAL ESTÁ SOB ANÁLISE

A extração dos dados dos aparelhos de Vorcaro ganhou importância dentro da investigação devido ao volume de informações armazenadas nos dispositivos.

Segundo informações divulgadas sobre a perícia, cópias do material extraído foram encaminhadas aos gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que solicitaram acesso aos dados apreendidos. A discussão sobre o acesso ao conteúdo dos aparelhos chegou a provocar um embate entre ministros da Corte.

Em setembro, o ministro Cristiano Zanin determinou que os elementos do celular de Vorcaro fossem disponibilizados integralmente aos ministros, afirmando que não deveria existir uma relação de hierarquia entre integrantes do STF no acesso às provas.

CLASSIFICAÇÃO NÃO SIGNIFICA, POR SI SÓ, CRIME

Apesar da grande quantidade de material classificado como relacionado à nudez, a existência desses arquivos não significa automaticamente que tenha sido identificado um crime.

A própria classificação técnica de arquivos serve para organizar e separar grandes volumes de dados durante uma perícia digital. A presença de imagens íntimas, por si só, não estabelece quem aparece nelas, em que circunstâncias foram produzidas, se houve consentimento ou se existe qualquer relação entre determinado arquivo e os fatos investigados.

Esse cuidado é especialmente relevante porque o conjunto analisado pela PF envolve uma quantidade muito grande de dados e comunicações.

O QUE A PF PROCURA NOS APARELHOS

O interesse investigativo nos celulares de Vorcaro não se limita ao conteúdo íntimo.

Os aparelhos também podem conter mensagens, contatos, documentos, registros de viagens, informações financeiras e comunicações com empresários, políticos e outras pessoas que possam ajudar a esclarecer as relações e negócios investigados no caso Banco Master.

A Polícia Federal investiga suspeitas relacionadas às operações envolvendo o banco e outras instituições financeiras. Vorcaro também deve prestar esclarecimentos sobre outros aspectos da investigação, incluindo a contratação de perfis em redes sociais para ataques ao Banco Central, conforme informações divulgadas anteriormente.

FESTAS E RELAÇÕES PESSOAIS ENTRAM NO RADAR

O conteúdo extraído dos dispositivos também voltou a colocar no centro do debate as festas e eventos promovidos por Vorcaro.

Reportagens anteriores relataram a presença de políticos, empresários e personalidades do mercado financeiro em eventos patrocinados pelo empresário. No caso de uma festa realizada em Nova York, fontes ouvidas pelo UOL relataram a presença de dançarinas estrangeiras e bebidas de alto valor, mas também afirmaram não ter presenciado nudez das dançarinas naquela ocasião.

Por isso, informações sobre festas, fotografias ou contatos encontrados em celulares precisam ser analisadas dentro de seu contexto e não podem, isoladamente, ser tratadas como prova de participação em crimes.

POR QUE O CONTEÚDO É RELEVANTE

O interesse investigativo sobre o material está principalmente na possibilidade de que os dispositivos contenham informações capazes de esclarecer relações empresariais, contatos, negociações e circunstâncias relacionadas às operações investigadas.

O conteúdo íntimo, por outro lado, envolve diretamente a esfera privada das pessoas eventualmente retratadas. A simples existência dos arquivos não permite concluir que qualquer pessoa identificada no material tenha cometido irregularidade.

A investigação deverá estabelecer quais dados possuem relação efetiva com os fatos apurados e quais pertencem exclusivamente à vida privada do empresário.

GRANDE VOLUME DE DADOS

A perícia dos aparelhos produziu um volume estimado em cerca de 500 GB, o que representa uma quantidade significativa de informações a serem examinadas. A classificação de aproximadamente 5 mil itens como “Score nudez” é apenas uma das categorias utilizadas na organização do material digital.

O desafio dos investigadores, portanto, é separar o conteúdo relevante para a investigação daquilo que pertence exclusivamente à esfera pessoal de Vorcaro.

INVESTIGAÇÃO SEGUE

O caso Banco Master continua sendo acompanhado pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal, enquanto diferentes elementos apreendidos durante as investigações passam por análise.

A expectativa é de que a perícia dos aparelhos possa contribuir para esclarecer fatos relacionados às operações financeiras e às relações mantidas por Daniel Vorcaro.

Até que os dados sejam formalmente relacionados a fatos específicos e avaliados pelas autoridades competentes, a existência de imagens íntimas ou de conteúdo sexual nos celulares não constitui, por si só, evidência de crime ou de envolvimento de terceiros em irregularidades.

Fonte: informações divulgadas sobre a perícia da Polícia Federal, UOL e reportagens sobre o caso

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