Equipe do presidente afirma que problemas no Instagram e restrições à divulgação de conteúdos prejudicaram a campanha desde dezembro de 2025; empresa atribui os episódios a falhas técnicas e nega direcionamento político

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou a Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, de possível interferência no processo eleitoral brasileiro. Neste sábado (10), a equipe informou que pretende acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e formalizar uma denúncia contra a companhia junto à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Segundo os assessores do presidente, os problemas começaram em dezembro de 2025 e se intensificaram nos últimos dias, em meio à disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.

A principal reclamação envolve restrições à conta de anúncios da campanha de Lula no Instagram, que teria ficado impedida de impulsionar publicações e veicular anúncios. Para a equipe do presidente, as ocorrências prejudicam a estratégia de comunicação digital justamente na reta final da disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Em nota, a coordenação da campanha afirmou que a sequência de problemas técnicos levanta suspeitas de uma possível interferência no processo eleitoral em benefício do adversário de Lula. A acusação, porém, ainda depende de apuração e não representa uma conclusão comprovada sobre a atuação da empresa.

CAMPANHA APONTA PROBLEMAS DESDE DEZEMBRO

De acordo com o histórico apresentado pela equipe petista, um dos episódios ocorreu em 10 de dezembro de 2025, quando páginas de Lula e de outras lideranças de esquerda teriam deixado de aparecer nos mecanismos de busca do Instagram. A campanha também relatou limitações na localização dos perfis dentro da plataforma.

Na ocasião, segundo os assessores, a Meta atribuiu o episódio a um problema técnico.

A equipe também afirma que, durante o primeiro turno das eleições de 2026, a conta de anúncios do presidente foi retirada do ar. Mais recentemente, novos problemas teriam impedido o impulsionamento de conteúdos e a veiculação de publicidade política.

Para a campanha, a repetição dessas ocorrências exige esclarecimentos sobre os critérios técnicos utilizados pela plataforma e sobre a aplicação das mesmas regras aos diferentes candidatos.

Até o momento, as alegações de favorecimento político apresentadas pelo PT não constituem prova de que a Meta tenha atuado deliberadamente para beneficiar uma candidatura.

PT QUESTIONA DIFERENÇA DE ENGAJAMENTO ENTRE OS CANDIDATOS

Outro ponto apresentado pela campanha diz respeito ao desempenho das publicações nas redes sociais.

Segundo um documento elaborado pela área de inteligência da Secretaria Nacional de Comunicação do PT, o perfil de Flávio Bolsonaro teria registrado, em média, 2,96 vezes mais engajamento do que o perfil de Lula, apesar de contar com aproximadamente 17,2% menos seguidores.

A equipe petista utiliza esses números para questionar o funcionamento dos algoritmos e a distribuição de conteúdo político na plataforma.

Entretanto, uma diferença de engajamento, isoladamente, não comprova favorecimento algorítmico. O desempenho de publicações também pode variar conforme o formato dos vídeos, a frequência de postagem, as interações dos usuários e outros fatores.

A campanha quer que as circunstâncias sejam esclarecidas e que a empresa apresente informações capazes de explicar os episódios relatados.

META AFIRMA QUE OS PROBLEMAS SÃO TÉCNICOS

A Meta atribuiu os problemas relatados a falhas técnicas e sustentou que as ocorrências não seriam exclusivas do Brasil nem direcionadas a candidatos específicos.

A campanha de Lula, por sua vez, questiona a explicação apresentada pela empresa e afirma que não recebeu evidências suficientes de que outros anunciantes e candidatos brasileiros tenham enfrentado problemas semelhantes.

O impasse coloca em discussão a transparência das plataformas digitais durante o período eleitoral, especialmente em relação à publicidade política, à distribuição de conteúdo e aos mecanismos de moderação.

A comprovação de eventual tratamento desigual dependerá de informações técnicas e de uma análise dos registros da plataforma, não sendo possível concluir, apenas com base nas reclamações, que houve interferência deliberada.

CAMPANHA PRETENDE RECORRER AO TSE E À ANPD

A equipe de Lula informou que pretende apresentar a denúncia ao Tribunal Superior Eleitoral e à Agência Nacional de Proteção de Dados.

O objetivo é obter esclarecimentos sobre as restrições relatadas, verificar se as regras da plataforma foram aplicadas de maneira uniforme e avaliar possíveis consequências para a disputa eleitoral.

O TSE possui atribuições relacionadas à fiscalização do processo eleitoral e à aplicação das normas que regulam a propaganda política. Já a ANPD atua na proteção de dados pessoais e na fiscalização do cumprimento da legislação correspondente.

A eventual responsabilização da empresa dependerá da análise dos fatos, das provas disponíveis e das normas aplicáveis.

DISPUTA DIGITAL GANHA IMPORTÂNCIA NO SEGUNDO TURNO

O episódio ocorre em um momento de intensificação das estratégias digitais das duas campanhas presidenciais.

Com a votação marcada para 25 de outubro, Lula e Flávio Bolsonaro buscam ampliar o alcance de suas mensagens, mobilizar apoiadores e conquistar eleitores.

As redes sociais se tornaram um dos principais espaços de divulgação de propostas, discursos e conteúdos eleitorais. Por isso, eventuais restrições à publicidade ou mudanças na distribuição de publicações podem provocar questionamentos sobre a igualdade de condições entre as candidaturas.

O caso deverá avançar com a apresentação das denúncias anunciadas pela campanha e os esclarecimentos que venham a ser fornecidos pela Meta e pelas autoridades competentes.

Até que os fatos sejam apurados, a acusação de interferência eleitoral permanece como uma alegação da campanha de Lula, enquanto a Meta atribui os episódios a problemas técnicos.

Fontes: Estadão Conteúdo, CNN Brasil, UOL e informações divulgadas pela campanha de Lula em 10 de outubro de 2026.

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