Estrutura de 11 pavimentos caiu sobre uma residência na Penha, Zona Leste de São Paulo; todas as vítimas fatais eram bolivianas. Obra acumulava irregularidades e um dos sócios da construtora foi preso

O Corpo de Bombeiros localizou neste domingo (13) o corpo de uma menina de sete anos que estava soterrada nos escombros de um prédio em construção que desabou sobre uma residência na Penha, Zona Leste de São Paulo. Com a localização da criança, o número de mortos na tragédia chegou a seis.

O desabamento ocorreu por volta das 2h da madrugada de sábado (12), na Rua Tequici. A estrutura, com cerca de 11 pavimentos, caiu sobre o imóvel vizinho, onde morava uma família boliviana e funcionava também uma oficina de costura.

Segundo o Corpo de Bombeiros, as seis vítimas fatais eram bolivianas. Entre elas estava uma mulher grávida e a menina de sete anos localizada neste domingo.

Buscas terminaram após localização da última vítima

As equipes de resgate trabalharam durante horas entre os escombros, utilizando equipamentos especializados, cães farejadores e técnicas de busca manual para evitar novos desabamentos.

O comandante do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros, Robson Mitsu, informou que a etapa emergencial das buscas foi encerrada após a retirada do corpo da criança. A partir de agora, a Prefeitura de São Paulo deverá assumir a remoção dos escombros.

Ao todo, duas pessoas foram resgatadas com vida e encaminhadas para atendimento médico.

Família boliviana vivia no local

A residência atingida pelo prédio abrigava integrantes de uma família de origem boliviana. O imóvel também era utilizado como oficina de costura, onde parte dos moradores trabalhava.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, as vítimas viviam no Brasil havia aproximadamente nove anos.

O Consulado da Bolívia acompanha o caso e trabalha para auxiliar as famílias, inclusive na tentativa de viabilizar o traslado dos corpos para Oruro, na Bolívia, cidade de origem das vítimas.

Obra já tinha histórico de irregularidades

A investigação sobre as causas da tragédia ganhou força diante do histórico da construção.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, o empreendimento apresentava irregularidades desde 2019, quando a obra teria começado sem o devido alvará. O local chegou a ser interditado e recebeu multas.

Em 2021, o município ingressou com uma ação judicial para determinar a paralisação da construção.

Posteriormente, em 2023, um novo projeto recebeu autorização, mas havia uma condição: a estrutura existente deveria ser demolida antes da continuidade do empreendimento. As autoridades agora investigam se essa determinação foi efetivamente cumprida.

Suspeita de que demolição não ocorreu

Uma das principais linhas de investigação é justamente a possibilidade de que a antiga estrutura não tenha sido demolida como previsto.

Segundo informações divulgadas pela Folha, a Prefeitura identificou indícios de que informações relacionadas à demolição podem ter sido falsificadas. Uma servidora municipal responsável por uma vistoria chegou a ser afastada enquanto os procedimentos administrativos são investigados.

A Controladoria-Geral do Município também abriu investigação para verificar possíveis falhas na fiscalização.

A prefeitura afirma que irá colaborar com as investigações e que eventuais responsáveis deverão ser responsabilizados.

Polícia prende sócio da construtora

A Polícia Civil também avançou nas investigações neste domingo.

Um dos sócios-proprietários da construtora New Home, responsável pela obra, foi preso temporariamente. Ele foi levado ao 24º Distrito Policial, na Ponte Rasa, onde presta esclarecimentos.

A polícia também trabalha para cumprir outros dois mandados de prisão contra responsáveis pelo empreendimento. Até o momento, as autoridades não divulgaram oficialmente todos os nomes dos investigados nem detalharam quais crimes serão imputados a cada um.

A construtora, por meio de advogado, informou anteriormente que não iria se pronunciar naquele momento. Em manifestação anterior, a empresa afirmou que não havia elementos para concluir que o desabamento tivesse ocorrido exclusivamente por uma conduta da construtora.

Chuvas também são investigadas

Outro ponto analisado pelas autoridades é a possibilidade de que as fortes chuvas que atingiram São Paulo tenham contribuído para o colapso da estrutura.

A Defesa Civil avalia as condições do terreno e da construção, enquanto a perícia deverá analisar os materiais utilizados, a estrutura, os projetos aprovados e as condições da obra.

Ainda não há conclusão oficial sobre a causa do desabamento.

Por isso, as autoridades trabalham com diferentes hipóteses até que os exames técnicos sejam concluídos.

Perícia deverá apontar causas da tragédia

Com o encerramento da fase emergencial de resgate, a investigação entra em uma nova etapa.

A perícia deverá analisar os escombros e reunir elementos capazes de esclarecer por que a estrutura desabou e se houve falhas de engenharia, irregularidades administrativas ou descumprimento de determinações municipais.

A Polícia Civil também deverá confrontar documentos da construtora com registros da Prefeitura, licenças, projetos, autos de fiscalização e informações sobre as intervenções realizadas no terreno.

Tragédia deixa seis mortos

O desabamento transformou uma madrugada de chuva em uma das tragédias mais graves registradas recentemente na capital paulista.

A queda do prédio atingiu diretamente a residência vizinha e matou seis pessoas, incluindo uma criança de sete anos e uma mulher grávida. Outras duas pessoas sobreviveram e foram encaminhadas para atendimento médico.

Agora, além de identificar definitivamente as causas do colapso, as autoridades terão de esclarecer se houve negligência, descumprimento de normas ou falhas na fiscalização que possam ter contribuído para a tragédia.

A investigação continua, e eventuais responsabilidades criminais serão definidas pela Justiça a partir das provas reunidas pela Polícia Civil.

Importante: a prisão dos responsáveis e as suspeitas investigadas não representam condenação. Os envolvidos têm direito à defesa e à presunção de inocência até eventual decisão judicial definitiva.

Fonte: Polícia Civil de São Paulo, Prefeitura de São Paulo, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e informações de Folha de S.Paulo, UOL e Veja.

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