O setor supermercadista brasileiro passou a defender publicamente mudanças na jornada de trabalho, manifestando apoio à adoção da escala 5×2 — modelo em que o trabalhador atua por cinco dias e descansa dois. A proposta, no entanto, vem acompanhada de uma sugestão que pode gerar debate: a ampliação da contratação por hora.

Representantes de entidades do setor afirmam que a escala 5×2 pode contribuir para melhorar a qualidade de vida dos funcionários, além de alinhar o Brasil a práticas mais comuns em outros países. Por outro lado, destacam que o funcionamento contínuo dos supermercados — inclusive aos fins de semana e feriados — exige maior flexibilidade na gestão da mão de obra.

Nesse contexto, a contratação por hora surge como alternativa para manter as operações sem comprometer o descanso dos trabalhadores. O modelo permitiria que empresas ajustassem as escalas conforme a demanda, especialmente em períodos de maior movimento, como datas comemorativas e promoções.

Críticos da proposta, porém, alertam para possíveis riscos de precarização das relações de trabalho. Especialistas apontam que contratos por hora podem reduzir a previsibilidade de renda e fragilizar direitos trabalhistas, caso não haja regras claras e proteção adequada aos trabalhadores.

O tema deve ganhar força nos próximos meses, à medida que avança o debate sobre modernização das leis trabalhistas no país. Enquanto isso, trabalhadores, sindicatos e empresas seguem em lados distintos, buscando um equilíbrio entre produtividade, flexibilidade e garantia de direitos.

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