O patrimônio declarado do senador Jaques Wagner (PT-BA) cresceu 630% entre 2018 e 2026, passando de R$ 3,3 milhões para R$ 24,5 milhões, conforme dados oficiais enviados pelo próprio parlamentar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por meio do sistema DivulgaCandContas.

O principal fator para o aumento patrimonial foi a venda de um terreno localizado em Vila de Abrantes, em Camaçari (BA). O imóvel, declarado em 2018 por cerca de R$ 28 mil, deu origem a um crédito de aproximadamente R$ 13,8 milhões após negociação com a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Esporte Clube Bahia e a empresa Lagoons Empreendimentos. Além disso, as aplicações financeiras do senador cresceram de R$ 1,2 milhão para R$ 8,3 milhões no mesmo período.

A divulgação ocorre enquanto Jaques Wagner é investigado pela Polícia Federal no chamado Caso Master. A investigação apura suspeitas de que empresários ligados ao Banco Master teriam concedido vantagens financeiras diretas ou indiretas ao senador em troca de articulação política no Congresso Nacional.

Durante as investigações, a Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 65 mil e 39 mil euros em espécie em endereços ligados ao parlamentar. Também houve o bloqueio judicial da transferência definitiva do terreno vendido ao Bahia por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das apurações.

Em nota, Jaques Wagner nega todas as acusações. O senador afirma que o terreno foi adquirido no ano 2000 por valores compatíveis com a época e que sua valorização ocorreu de forma natural ao longo de mais de duas décadas. Ele também sustenta que mantém apenas relações de amizade com os investigados, critica o que chama de “espetacularização” das investigações e afirma que deixou a liderança do governo no Senado para concentrar sua defesa, sem prejudicar a atuação política do governo.

O caso segue sob investigação, e até o momento não há condenação judicial contra o senador. As apurações continuam sob responsabilidade da Polícia Federal e supervisão do Supremo Tribunal Federal.

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